Image by FlamingText.com

domingo, 15 de agosto de 2010

Kreator


A Europa dos anos 80, e início dos 90, foi berço de muitas bandas pioneiras de death e thrash metal. Depois do Venom, o pai do black metal, e do Hellhammer, surgiu o Kreator
, uma das bandas mais respeitadas de metal das duas últimas décadas. Juntamente com suas contemporâneas Bathory, Destruction e Sodom, se tornou influência de muitas outras que se formaram depois. Emperor, Samel e Rotting Christ são alguns exemplos.
Em meados de 1983 é formado o Tormentor, na cidade de Essen (Alemanha), composto por Mille Petrozza, o guitarrista Tommy Vetterli e o baterista Ventor Reil.
Em 84 o Tormentor lança uma demo chamada "End of the World" com as músicas "Armies Of Hell", "Tormentor", "Cry War" e "Bone Breaker".
No ano seguinte, época conhecida por "German Thrash Explosion", e já com o nome da banda mudado para Kreator, é produzido o primeiro álbum, "Endless Pain".
O disco se torna um marco do thrash metal e o Kreator é considerado uma das mais rápidas e pesadas bandas da época, por isso seu estilo foi também chamado de speed metal. Lançado pela gravadora Noise Records (Running Wild, Halloween, Gamma Ray, Celtic Frost, Voivod, Destruction, Hellhammer e Bathory), o álbum contou com a produção de Horst Muller, que já produziu as bandas Deliverance, Celtic Frost e também o próprio Hellhammer.

Depois dos shows de divulgação, o baixista Rob Fioretti é convidado a entrar para a banda e no ano de 86 é lançado "Pleasure to Kill". Marcado por um som mais cru que o trabalho anterior, saiu novamente pela Noise Records e foi produzido por Harris Johns, que já trabalhou com o Immolation, Sodom, Pestilence,Therion, Voivod e o Helloween.
Jorg Trzebiotowski é então recrutado para a segunda guitarra da banda e ainda em 86 é lançado o EP "Flag of Hate", pela Combat Records, contendo 3 músicas inéditas e mais as faixas "Endless Pain", "Tormentor" e "Total Death" do Endless regravadas. Em 87 é produzido um clip para a música "Toxic Trace" do EP.
No ano seguinte o Kreator lança "Terrible Certainty". Produzido por Roy Rowland, foi considerado um dos mais pesados álbuns dos anos 80.
"Extreme Aggression", sai em 89 pela Epic Records. Gravado em Berlin (Alemanha), contou com uma participação especial de Greg Saenz (mais tarde ele se tornaria baterista do Suicidal Tendencies) fazendo backing vocal. O álbum foi produzido por Randy Burns, que também já produziu bandas como Death, Nuclear Assault, Megadeth e Suicidal Tendencies.
Alguns fãs o encaram como uma fase de maturidade da banda, num álbum onde eles provam serem capazes de fazer boas músicas. As letras continuam depressivas e as músicas ficam mais lentas, revelando um outro lado da banda.
O Kreator entra em tour pela Austrália, Japão, Moscou, Checoslováquia, Argentina, Chile, Brasil e Estados Unidos. Porém a banda tem problemas com sua formação novamente e Jorg Trzebiotowski sai durante a tour, entrando em seu lugar o guitarrista Frank Gosdzik.
No mesmo ano é produzido um clip para a música "Betrayer", seguido dos lançamentos do EP "Out of the Dark, Into the Light" e do vídeo "Extreme Aggression: Tour 1989/'90, Live in East Berlin".

Em 90 sai o álbum "Coma of Souls" pela gravadora Epic Records. O Kreatorsurpreende novamente e o álbum se torna mais um marco do thrash metal. "Coma of Souls" contou com o engenheiro de som Jason Roberts, que já trabalhou com House of Pain e Cypress Hill. A capa é de Andreas Marschall, que já fez os trabalhos das capas de "Dawn of Possession" (91) e "Here in After" (96) do Immolation; "Dangerous Meeting" (92) do King Diamond; "End Complete" (92) do Obituary; e "Pile of Skulls" (92) e "Wild Black Hand Inn" (94) do Running Wild.
No final do ano mais um clip é produzido, agora para a faixa "People Of The Lie".
Dois anos depois, em 92, é lançado o álbum "Renewal", que contou com a produção de Tom Morris, conhecido por já ter trabalhado com o Savatage, Kamelot, Morbid Angel e feito a mixagem do "Beneath the Remains" (89) do Sepultura.
A banda muda muito seu estilo, ficando mais leve, lenta e com vocais menos rasgados. As influências industriais são evidentes e o álbum fica longe das idéias do antigo Kreator, mesmo nas letras. A credibilidade e sinceridade do som do Kreator parecia ter sumido e dado lugar a uma forçada evolução, nada natural. Não para o Kreator, que havia se consagrado como uma das mais autênticas bandas de metal até então. A banda perde assim muitos de seus fãs.
O Kreator é acusado, inclusive, de mudar de estilo radicalmente por causa das baixas vendas da época para o público thrash. Parecia que o thrash e as boas bandas que haviam, tinham entrado em decadência. "Renewal" desapontou os fãs, principalmente porque eles achavam que o Kreator seria uma das únicas bandas do verdadeiro thrash que sobreviveriam à década de 90. Alguns dizem que seis álbuns em sete anos fizeram a criatividade ficar em baixa. O álbum permanece até hoje como o mais controverso da banda.
O Kreator percebe o que está acontecendo e entra numa longa tour européia. Logo depois o baterista Ventor Reil, um dos fundadores, sai da banda. É lançado na seqüência um clip para a música "Renewal".
Três anos após "Renewal", é lançado em agosto de 95 "Cause for Conflict". Voltam peso e velocidade com pouco espaço para experimentos, como os do álbum anterior. Com o novo batera, Joe Cangelossi, o CD é produzido por Vincent Wojno, que já trabalhou com Machine Head, Testament e Pro-Pain. As ilustrações são do percussionista Junior, "especialista" em participações especiais em álbuns de bandas e artistas famosos de vários estilos. Entre eles está o brasileiro Carlinhos Brown, e sua participação no álbum "Alfagamabetizado" (97), onde é um dos timbaleiros. As fotografias do encarte são de Dirk Rudolph, que fez também a capa de "Astral Sleep" (91) do Tiamat; "Night of the Stormrider" (92) do Iced Earth e "Sehnsucht [Slash]" (98) do Rammstein.

Mais tarde, são produzidos clips para as músicas "Lost" e "Isolation" e o vídeo "Hallucinative Comas".
O álbum "Scenarios of Violence" é lançado em 96, ano seguinte. Produzido por Siggi Bemm, que trabalhou também com Samael, Grip Inc., Tiamat, The Gathering,, Rotting Christ e Moonspell, o álbum teve capa idealizada pelo vocal Mille Petrozza e pelo artista Peter Dell, que fez as ilustrações.
Em meados de 97 sai "Outcast", mixado por Ronald Prent (Def Leppard,Queenryche e Rammstein) e novamente com produção de Vincent Wojno. As fotografias dessa vez, são de Harald Hoffmann, que também fez as de "Deeper Kind of Slumber" (97) do Tiamat.
A influência industrial volta e o Kreator perde um pouco da adrenalina. Sente-se uma atmosfera doom que insinua novos caminhos e mudança de estilo da banda. Depois do lançamento, a banda entra rapidamente em tour e são feitos clips para "Leave This World Behind" e "Outcast".
Abril de 99 trouxe muita confiança para alguns fãs da banda e recusa de outros com o álbum "Endorama".
Com elementos progressivos como guitarras sintetizadas e até piano em algumas introduções, ainda há um toque industrial, como distorções no vocal, e teclados com melodias um pouco arrastadas.
As músicas "Endorama" e "Chosen Few" também ganham clips e a banda faz alguns festivais pela Europa.
A coletânea "Voices Of Transgression - A 90s Retrospective" é lançada no mesmo ano pela Gun Records. O álbum trazia 17 faixas dos discos "Cause For Conflict", "Outcast" e "Endorama", e 3 bônus que saíram junto com o lançamento desses discos. Depois desse lançamento, o Kreator entra em tour pela Europa com o Moonspell.
No ano 2000, é lançado o single "Chosen Few" pela gravadora BMG, com as músicas "Endorama" e uma versão de "Children of a Lesser God" que não foi para o álbum, além dos dois clips "Endorama" e "Chosen Few" em Cd-rom.
O Kreator foi uma banda que mudou muito de formação e de estilo ao longo do tempo, por isso enfrentou muitos problemas com os fãs. Porém, o Kreator é considerado uma das mais autênticas bandas de metal. Em tempos em que o black era o esperado da maioria das bandas alemãs, surgiu o Kreator, não apenas como mais uma banda pesada européia, mas com a personalidade que marcou seu lugar na história do metal.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Stone Temple Pilots


No fim dos anos 80, os irmãos Robert e Dean DeLeo se mudaram de New Jersey para San Diego na California. Os dois já haviam tocado juntos em New Jersey, numa banda de covers chamada Tyrus. Robert conheceu o vocalista Scott Weiland durante um show do Black Flag em 1986, quando ficaram amigos e começaram a tocar guitarra e gravar algumas coisas num equipamento de 8 canais. A banda era chamada de Swing, mas nessa época não havia nenhuma pretensão se seguir uma carreira ou se apresentar ao vivo, era apenas diversão. Com a entrada do guitarrista Corey Hicock e logo em seguida do baterista Eric Kretz, a idéia começou a se solidificar e alguns meses depois eles convidaram o irmão mais velho de Robert, Dean DeLeo para substiuir Hicock na guitarra. Quando Dean DeLeo se tornou o novo guitarrista da banda (1990), oficialmente estava formado o Mighty Joe Young, nome tirado de um filme feito em 1949 similar ao King King (esse mesmo filme ganhou uma nova versão nos anos 90 e teve o título em português "O Poderoso Joe").
O Mighty Joe Young tocou seu primeiro show abrindo para a Rollins Band em agosto de 1990 no Whiskey-A-Go-Go em Los Angeles. Eles logo se cansam da cena musical de Los Angeles e retornam a San Diego, onde passam a compor músicas e tocar em bares locais pelos próximos dois anos. Depois de algum tempo, a banda conseguiu conquistar um público fiel na região e gravou sua primeira demo em 1991. Em 1992, um empresário da Atlantic Records foi a um dos shows da banda, e mostrou o interesse da gravadora em assinar um contrato. Inicialmente a banda hesitou em assinar até conversar com o empresário Danny Goldberg, que então administrava a carreira do Nirvana. O contrato foi assinado em 1º de abril de 1992.

A banda estava no estúdio para gravar seu primeiro álbum, quando, para surpresa do grupo, eles receberam uma carta de um octagenário bluesman de Chicago que também usava o nome Mighty Joe Young. Ele havia feito música no início dos anos 70, e tinha sido convidado para integrar um grupo de cantores de blues para fazer uma turnê pelos Estados Unidos. Era a volta de Mighty Joe Young e ele queria usar seu nome artístico. O pedido de Young era completamente legítimo e a banda sequer contestou. Na verdade, foi quase uma honra para eles, que aproveitaram a oportunidade para mudar de nome, já que Mighty Joe Young soava muito parecido com Ugly Kid Joe, com quem eles não queriam ser confundidos.
Eles decidiram usar um nome que tivesse a sigla STP, inspirado na STP Motor Oil Company, que era um ícone "cool" nos anos 80 (o próprio Scott Weiland tinha um adesivo da STP na sua bicicleta). Eles escolheram vários nomes como Shirley Temple's Pussy, Stinky Toilet Paper, ou ainda Stereo Temple Pirates, antes de optar definitavamente por Stone Temple Pilots.
O álbum demorou muito pouco tempo para ser gravado, pois a banda já tinha a maioria das músicas prontas. Em setembro foi lançado o álbum Core, produzido por Brendam O'Brien, que já havia tralhado com Black Crowes e Red Hot Chili Peppers.
Core começou sua escalada nas paradas logo após seu lançamento. O vídeoclip do primeiro single, Sex Type Thing entrou em rotação inicialmente no programa de metal da MTV americana Headbangers' Ball para depois entrar em alta rotação na programação semanal da emissora. A partir daí, o álbum Core passou mais de um ano nas paradas, atingindo a marca de 3 milhões de cópias nos EUA. A banda recebeu várias premiações: Grammy para melhor performance hard rock por Plush; American Music Awards por melhor artista novo pop/rock e melhor artista heavy metal/hard rock, ambos em 1993; dois Billboard Video Awards e um Billboard Music Award também para Plush; e um MTV Music Video Award por melhor artista novo de 1993; a banda também foi votada melhor artista novo e o vocalista Scott Weiland foi escolhido melhor vocalista pela premiação da revista Rolling Stone escolhida pelos leitores; os leitores da revista Guitar Player escolheram Dean DeLeo melhor novo talento de 1993.

O STP passou praticamente todo o ano de 1993 em turnê, abriu alguns shows do MegaDeth e gravou um acúsitico para a MTV.
Apesar de todo o sucesso, o Stone Temple Pilots passou muito tempo de sua carreira combatendo a percepção de que eles eram um banda de Seattle. O seu álbum de estréia gerou muitas comparações com a cena de rock alternativo do noroeste americano, quando na verdade o Stone Temple Pilots passou toda a sua carreira batalhando em pequenos bares no sul da California. O grupo foi muitas vezes pejorativamente confundido com as histórias de sucesso das bandas de Seattle como Pearl Jam e Alice In Chains, onde é afirmado que o STP teria entrado "de carona" na onda de sucesso do grunge. Na verdade, todas essas bandas fazem parte de uma onda de bandas novas, cujas raízes são a bizarra combinação do poderoso hard rock dos anos 70 e heavy metal dessa época misturada com uma estética punk rock atual.
A partir da explosão do Nirvana, os críticos passaram a condenar o sucesso de bandas que tinham atitude ou sonoridade similar, alegando cópia ou ilegitimidade por esta ou aquela banda ser ou não de Seattle. Acontece que o rock alternativo havia sido por muito tempo uma indústria fechada onde as grandes gravadoras não se aproximavam, e não havia o interesse nem das próprias bandas em atingir um público maior. E, de repente estavam todos comercializando o rock alternativo e todas as bandas da cena, primeiramente de Seattle e depois de outros lugares, foram colocadas no mercado.
Para o Stone Temple Pilots, a situação começou a piorar exatamente quando foi lançado seu segundo single, Plush, que tinha guitarras e vocal que podiam ser facilmente confundidos com Pearl Jam. As discussões sobre o que é mainstream e o que é alternativo e as críticas da imprensa especializada quase acabaram com a banda, conforme admitiu Weiland em uma entrevista em 1995.
Em 1994 o STP lança o seu segundo álbum, Purple, (também produzido por Brendam O'Brien) que voltou a empilhar hits para a banda. Vasoline, Interstate Love Song (que ficou 15 semanas em primeiro lugar na parada de rock da Billboard) e Big Empty, que também entrou para a trilha do filme The Crow são todas de Purple, que chegou ao ao número 1 da Billboard e vendeu três milhões de cópias nos EUA.
A reação da crítica desta vez foi dividida, algumas positivas outras negativas, mas todos os críticos reconheciam a evolução no som da banda. Mas nem tudo são boas notícias, chegam a público rumores sobre o envolvimento do vocalista Scott Weiland com heroína, e a banda é obrigada a cancelar vários shows de sua turnê. Weiland passa um tempo envolvido com problemas legais e clínicas de reabilitação. Em 1995, a banda volta as paradas com uma versão de Dancin' Days para um disco em tributo ao Led Zepplin. Scott Weiland participa de um projeto paralelo chamado The Magnificent Bastards, que grava algumas músicas para a trilha do filme Tank Girls. O Stone Temple Pilots só volta a se reunir em 1996 com o produtor Brendam O'Brien para a gravação de Tiny Music... Songs From The Vatican Gift Shop. Foi o disco mais ousado do STP até então, bastante elaborado musicalmente, misturando vários estilos. O álbum teve relativo sucesso, atingindo 1 milhão de cópias vendidas nos EUA, apesar da impossibilidade de uma melhor divulgação e de fazer shows devido aos problemas do vocalista Scott Weiland.
Diante da impossibilidade de seguir sua carreira, os outros integrantes da banda unem-se ao vocalista David Coutts, que tocava numa banda chamada Ten Inch Man, para formar a banda Talk Show. Nesse ponto, o futuro do Stone Temple Pilots é incerto. O Talk Show lança um álbum, muito mal recebido pela crítica, em 1997 e sai em turnê pelos EUA abrindo os shows do Foo Fighters.
Scott Weiland lança um álbum solo em 1998, mas no mesmo dia do primeiro show de sua turnê solo, Scott é preso por posse de drogas, e tem que passar mais um tempo entre clínicas e tribunais.
No fim de 98, os integrantes da banda resolvem trabalhar juntos novamente. Um novo álbum, intitulado "Nº 4" é finalizado em março de 1999 e tem lançamento previsto para outubro do mesmo ano. Infelizmente, a poucos meses antes do lançamento do álbum, Scott é novamente preso, e desta vez é condenado a um ano de prisão por ter violado sua provação (uma espécie de suspensão condicional da pena por posse e uso de drogas). O álbum é lançado com pouca divulgação e a banda adia para 2000 os planos fazer uma turnê, o que não ocorre desde 1994.
No início de 2000, Scott Weiland deixa a prisão e banda retoma o trabalho de promoção do álbum Nº4 com gravação de videoclips e shows. O Stone Temple Pilots fatura um hit com a música "Sour Girl" e o disco cresce nas paradas atingindo 1 milhão de cópias vendidas nos EUA no fim do ano. A turnê também teve bastante sucesso, com vários shows para públicos grandes no verão americano. Weiland finalmente mostrava sinais concretos de sua recuperação definitiva. Em 2001 a banda começa a gravar o seu quinto álbum, e para isso alugou uma mansão em Malibu, onde o disco foi gravado com a produção de Brendan O'Brien. Em julho é lançado Shangri-La Dee Da, um disco que mistura todos os elementos presentes nos álbuns anteriores.

Após o lançamento de Shangri-La Dee Da, o STP embarcou uma turnê européia em agosto, retornando aos palcos norte-americanos em novembro para participar do festival Family Value, ao lado de bandas como Staind e Linkin' Park. Nesse festival, a banda enfrentou um pouco de dificuldade com o público, onde predominavam fãs do Linkin' Park. Estranhamente, o STP pouco tocava as músicas de seu novo trabalho, uma ou no máximo duas canções novas eram apresentadas a cada show. Ao mesmo tempo, enquanto o primeiro single do novo álbum, "Days of the Week" teve boa aceitação pelo público, nunca houve um segundo single para o disco, que acabou saíndo de cena. A banda optou por lançar "Revolution", cover dos Beatles como single, que teve a renda revertida para instituições de apoio às vítimas dos atentados de 11 de setembro.
Com o final do Family Values em novembro, a banda só se apresentaria mais quatro vezes antes do final de 2001. Uma turnê própria do STP nos EUA só aconteceria em 2003, quando a banda se apresentou em 16 cidades entre abril e maio. Em setembro a banda participou de alguns festivais e em outubro intercalou datas próprias e alguns shows como banda de abertura para oAeroshmith. Ao que tudo indica, foram os últimos shows do Stone Temple Pilots.
Novidades sobre a banda só surgiriam em 2003. Oficialmente, o STP iria dar uma nova parada, enquanto seus integrantes iam anuncioando novos projetos. Em fevereiro, os irmãos DeLeo assumiram a produção do álbum truANT, da banda Alien Ant Farm. Em abril surge a notícia de que Scott Weiland estaria trabalhando em seu segundo álbum solo com o produtor Josh Abraham. O lançamento estaria previsto para agosto pela Atlantic, o que acabou não se confirmando.
Semanas depois, ainda em abril, surge o boato de que Scott Weiland estaria ensaiando com o chamado The Project, banda formada pelos remanescentes do Guns n' Roses (Slash, Duff McKagan e Matt Sorum), que estavam a procura de um vocalista e já haviam feito testes com Sebastian Bach (ex-Skid Row) e Travis Meeks (Days of the New), entre outros.
Em maio foi revelado pelo próprio Weiland (e desmentido pelos porta-vozes dos ex-integrantes do Guns) que ele realmente seria o vocalista da nova banda. Weiland disse ainda que foram gravadas duas músicas para inclusão em trilhas sonoras: "Money", cover do Ping Floyd, para o filme Italian Job e a inédita "Set Me Free", que foi incluída nos créditos finais do filme The Hulk. Nessa época, o nome provisório da nova banda era Reloaded.
Ainda em maio, acontece mais uma reviravolta: Scott Weiland é preso pela polícia de Los Angeles, que encontrou drogas em seu carro. Weiland foi liberado sob fiança, e a primeira audiência foi marcada pela justiça americana para 2 de junho.
A notícia de que Weiland novamente estava envolvido com drogas não surpreendeu aqueles que conviviam com os integrantes do STP, e para os fãs serviu de explicação para algumas notícias estranhas que vinham sendo divulgadas há algum tempo (notadamente as entrevistas que davam conta de um clima tenso durante as gravações de Shangri-La Dee Da e um episódio em novembro de 2001 quando Weiland foi preso em Las Vegas por agressão a sua esposa, que tentou evitar que ele deixasse o quarto do hotel para comprar "medicamentos").
A esta altura, ninguém se arriscava a fazer qualquer prognóstico sobre o futuro do Stone Temple Pilots.
Na primeira audiência, Weiland alega inocência e uma nova data é marcada pelo tribunal. No dia 3 de junho, foi confirmado oficialmente que Weiland é mesmo o vocalista da nova banda, e no dia 6 surge nova notícia de que o nome definitivo do projeto será Velvet Revolver. Em meio a tantas notícias, no dia 12 de junho a Atlantic anuncia o lançamento de um greatest hits da banda para o final do ano.
Depois de praticamente monopolizar os noticiários por semanas, finalmente Weiland/Velvet Revolver/STP deixam as manchetes, surgindo novidades apenas em agosto: Weiland é sentenciado a três anos de probation, ou "suspensão condicional" da pena, onde ele será constantemente monitorado e se reincidir cumprirá pena de um ano.
Em outubro, mais um revés para o vocalista: ele se envolve num acidente de trânsito e é preso sob a alegação de dirigir sob influência de narcóticos (não foi divulgado qual substância). No entanto, a corte não executa a pena, encaminhando Weiland para uma clínica de reabilitação, com uma permissão especial supervisionada para sair quatro horas por dia para gravar com o Velvet Revolter em estúdio. O Velvet Revolver fechou com a RCA para o
lançamento de seu primeiro álbum no primeiro semestre de 2004.
No dia 11 de Novembro é lançada a coletânea "Thank You", com 15 faixas: 13 dos maiores sucessos do Stone Temple Pilots, a inédita "All In The Suit That You Wear" (gravada em 2002) e uma versão acústica para "Plush". O disco foi lançado também em edição limitada acompanhado por um DVD com todos os videoclips da banda e material inédito. Só pelo nome do disco, já era fácil imaginar que já não haveria muito futuro para o Stone Temple Pilots...


E a confirmação demorou apenas cinco dias. No dia 16 de novembro, Robert e Dean DeLeo confirmaram em entrevista para a revista Guitar One que o Stone Temple Pilots havia encerrado as atividades, desejando a Weiland e Eric Krets sucesso em seus futuros projetos.
É o fim de uma grande banda, que não se intimidou com as críticas e tampouco se acomodou com o sucesso de seu primeiro álbum, partindo para uma evolução que calou muitos de seus detratores pelo caminho.
Apesar do fim da STP ter sido apontado como praticamente certo em 1997, dessa vez parece ser realmente irreversível, nunca antes um integrante havia admitido oficialmente.
É de se esperar que o Velvet Revolver traga junto com o sucesso, a motivação para que Scott Weiland supere seus problemas pessoais, enquanto Eric Kretz planeja montar um estúdio. Já os irmãos DeLeo seguem como produtores, tendo trabalhado com o já citado Alien Ant Farm e a banda Monterey, e, recentemente surgem novos boatos: Robert e Dean estariam se juntando aos ex-Black Crowes Chris Robinson (vocal) e Steve Gorman (bateria) para formar uma nova superbanda. Será?

Foo Fighters


A história do Foo Fighters está centralizada na figura de Dave Grohl e começa muito antes da formação da banda, que só foi acontecer depois da finalização do álbum de estréia.
Dave passou a juventude na cena punk de Washington D.C., em 1984 entrou na sua primeira banda, Freak Babies tocando guitarra. A segunda, Mission Impossible, em 1985, pode ser considerada sua primeira banda "séria", onde ele tocava bateria. O Mission Impossible também não durou muito, e deu origem ao Dain Bramage (trocadilho infame para Brain Damage). Logo o Dain Bramage começou a ganhar o respeito na comunidade punk local, a banda assinou com a gravadora independente Fartblossom e chegou a lançar um LP. Pouco tempo depois, Dave soube que o Scream estava precisando de um baterista. O Scream era uma das mais importantes bandas hardcore da região, tendo se formado em 1979/80 e já feito turnês por todo o país e na Europa. Dave conseguiu marcar um ensaio e logo teve que tomar a difícil decisão de abandonar seus amigos de Dain Bramage para tocar com seus ídolos. Já com Dave Grohl em sua formação, em 1987, o Scream lançou seu 4º álbum (No More Censorship) e saiu em extensiva turnê pelos Estados Unidos e na Europa.
Em 1988, nos intervalos de seu trabalho com o Scream, Dave começou a compor algumas músicas, com a ajuda de seu amigo Barrett Jones que tinha um equipamento de gravação em 8 canais, Dave desenvolveu um método próprio de composição, criando primeiro as parte de bateria, depois tentando riffs em cima da bateria já gravada para finalmente acertar as melodias e dinâmicas com baixo e vocal.

Em 1990, ao final de mais uma turnê em Los Angeles, os integrantes do Scream estavam exaustos e na iminência de acabar com a banda, o baixista Skeeter foi o primeiro a tomar a decisão de sair. Buzz Osbourne, vocalista da banda Melvins, de Seattle, havia assistido ao show do Scream em San Francisco e falou que o Nirvana estava precisando de um baterista. Dave telefonou para Chris Novoselic que disse que o Nirvana já havia preenchido a vaga com o baterista Dan Peters (do Mudhoney). Inesperadamente, na mesma noite, Chris telefonou de volta, convidando Dave para ir à Seattle e dizendo que o Nirvana não iria mais trabalhar com Dan Peters porque não queriam o fim do Mudhoney.
Dave Grohl então precisou tomar outra difícil decisão, sair do Scream, para tocar com uns desconhecidos em Seattle. Era o início de sua história no Nirvana, ainda em 1990 quando ele aprendeu todas as músicas do Bleach e a banda começou as gravações de Nevermind, que se estenderam até a metade de 1991. No pouco tempo livre que tinha, Dave seguia trabalhando em suas próprias músicas, sempre que viajava para sua casa, na Virginia (estado vizinho a Washington D.C.) ou em seu tempo livre em Olympia (cidade próxima a Seattle). Assim que Nevermind foi concluído, Dave tira alguns dias em Washington D.C. e grava algumas músicas num estúdio local. A fita foi ouvida por sua amiga Jenny Toomey que tinha um selo independente chamado Simple Machines, que o convenceu a lançar esse material. O cassete foi lançado simplesmente com o nome de Pocketwatch, com Dave mantendo anonimato (segundo ele, o motivo foi porque simplesmente tinha vergonha que o ouvissem cantar).
Com o lançamento de Nevermind e da longa turnê de divulgação, Dave teve muito pouco tempo para trabalhar em suas músicas, mas, sempre que podia, continuava trabalhando junto com Barret Jones que se mudou para Seattle e tinha o seu estúdio caseiro sempre a disposição. Uma dessas músicas, "Marigold", chegou a ser usada como um b-side do Nirvana.
Após a morte de Kurt Cobain, em abril de 1994, Dave ficou completamente desorientado e sem saber o que fazer. Segundo ele, o que o "salvou" foi um cartão recebido pela banda 7 Year Bitch, também de Seattle, que, assim como o Nirvana, havia perdido um integrante recentemente. O cartão dizia "Nós sabemos o que você está passando. A vontade de tocar se foi por agora mas ela vai voltar. Não se preocupe."
Já em 1995, um revigorado Dave resolveu gravar seu material em um estúdio profissional. Alugou um estúdio em Seattle e regravou suas músicas, novamente com Barrett Jones que era a única pessoa que entendia seus métodos de gravação e composição, e com quem Dave se sentia a vontade para cantar. As gravações duraram apenas uma semana e acabariam por dar origem ao primeiro álbum do Foo Fighters ainda naquele ano. Dave tocou, praticamente ao vivo (em uma só tomada), todos os instrumentos com exceção de uma guitarra de X-Static, onde contou com a participação de Greg Dulli do Afghan Wigs.
A intenção de Dave não era de seguir uma carreira solo e sim de montar uma outra banda. Na mesma época, a banda Sunny Day Real Estate, também de Seattle (que já era bem conhecida na cidade e tinha um álbum lançado pela SubPop) acabava de se desintegrar. Dave convida dois ex-integrantes do Sunny Day para formar o Foo Fighters, o baterista William Goldsmith e o baixista Nate Mendel. Ainda faltava um segundo guitarrista, então Dave chamou seu ex-colega de Nirvana, Pat Smear que havia tocado na turnê de In Utero.
O nome Foo Fighters vem dos tempos da segunda guerra mundial quando radares americanos localizaram pontos brilhantes no espaço aéreo francês.
Com o material todo pronto, foi muito fácil para o Foo Fighters lançar seu primeiro álbum, "Foo Fighters" com lançamento em julho de 1995. A banda assinou contrato com a gravadora Capitol e o disco foi lançado em conjunto com o selo Roswell, de propriedade da banda. Seguiram-se uma turnê por pequenos clubes para "esquentar a banda" e finalmente uma grande turnê pelos Estados Unidos, Europa e Ásia até a metade de 1996. O álbum se saiu muito bem, vendendo mais de 1 milhão e meio de cópias e conquistando o prêmio de video do ano da MTV para o clip de 'Big Me'.

A turnê terminou em julho e Dave tirou apenas uma semana de férias antes de compor toda a trilha do filme "Touch" de Paul Schrader, onde novamente ele tocou todos os instrumentos com exceção de algumas participações especiais. No início de outubro a banda já estava reunida novamente para iniciar a pré-produção do segundo disco, no estúdio de 24 canais de Barrett Jones.
Desta vez, o Foo Fighters era uma verdadeira banda no estúdio, com cada um dos integrantes tendo igual importância na composição e arranjos. Em quatro semanas eles compuseram 13 músicas e Dave escreveu todas as letras.
Após a pré-produção, iniciaram as gravações do segundo álbum. A banda chamou o produtor Gil Norton, que já havia trabalhado com os Pixies e a intenção era ter um som um pouco mais trabalhado que não soasse como uma banda de garagem. Dave explica que queria um som bem produzido mas não uma super produção como um Guns'n' Roses. Gil Norton utilizou métodos ultra-perfeccionistas e a banda foi obrigada e repetir 20, 30 vezes o mesmo trecho. Com isso a gravação acabou demorando vários meses. Nesse meio tempo, William Goldsmith anuncia sua saída da banda. Dave acaba fazendo praticamente todas as partes de bateria do álbum.
O álbum The Colour & The Shape foi lançado em maio de 1997, a banda imediatamente recrutou um novo baterista , Taylor Hawkins, que estava tocando na turnê de Alanis Morrisette há 18 meses.

The Colour & The Shape também fez bastante sucesso, com três hits, Monkeywrench (cujo videoclip foi dirigido pelo próprio Dave Grohl), Everlong e My Hero.
Durante o MTV Video Music Awards de 1997, o guitarrista Pat Smear anuncia sua saída da banda. Seu substituto é Franz Stahl, que tocou junto com Dave no Scream. A banda finaliza a turnê de Colour & The Shape no início de 1999 e grava a música "A320" para a trilha sonora do filme Godzilla . Em seguida foi lançada uma versão remix de "Walking After You" produzida por Jarry Harrison na trilha sonora de Arquivo X.
Na metade de 1999 duas importantes notícias; Franz Stahl anuncia sua saída e a banda rompe seu contrato com a Capitol. Logo em seguida iniciam-se as gravações do terceiro álbum na casa de Dave no Estado da Virginia, a produção é da própria banda, com supervisão do produtor/engenheiro Adam Kasper (que produziu entre outros álbums, Down On The Upside do Soundgarden). O clima das gravações foi de total tranquilidade, sem pressões de gravadoras, nem prazo de lançamento. Após o fim das gravações, a banda assina com a gravadora RCA e o álbum There Is Nothing Left To Lose é lançado em novembro de 1999 e recebe boas críticas e boa vendagem. A banda encontra-se atualmente em turnê, e conta com um novo guitarrista, Chris Shiflett, que tocava na banda punk No Use For A Name.
Em 2002, Dave participa das gravações do terceiro disco do Queens of the Stone Age, como baterista. Participa de alguns shows ao lado da banda de Josh Homme e Nick Oliveri, e depois entra em estúdio para gravar o quarto do Foo Fighters. One By One sai no fim do ano, e embalado pelo sucesso do single All My Life, o disco é bem recebido por crítica e público. É um trabalho mais pesado e direto do que o álbum anterior, e nota-se bastante o quanto estar com o QotSA fez bem a Dave.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Rage Against The Machine


Com um som puro, sem sintetizadores, teclados ou samples; inspirado no punk rock dos anos 70 e donos de um estilo próprio de hardcore, a banda Rage Against The Machine trás a tona sua revolta em músicas incendiárias, com letras baseadas em uma visão política de extrema esquerda.

Direto de Los Angeles, no ano de 1991, o ex-Inside Out, Zack De La Rocha (vocais), Tom Morello (guitarra), Brad Wilk (bateria) e Tim Bob (baixo) formam a banda que, mesmo sem a ajuda de nenhuma gravadora, vendeu só em shows e fã-clubes, mais de cinco mil cópias de uma demo de doze faixas. Precursores de feitos inéditos, o RATM (ainda em início de carreira) abriu para bandas como: Pearl Jam, Body Count e Public Enemy; sem contar dois shows no palco secundário do Lollapalooza II (Los Angeles, California) e a turnê européia acompanhando o Suicidal Tendencies.

Sua ascendência visível rendeu um contrato com a Epic Records - que lançou o álbum homônimo da banda em Novembro de 1992, com destaque para a capa – a fotografia vencedora do prêmio Pulitzer de 1963, onde um monge ateia fogo no próprio corpo em forma de protesto a um movimento anti-busdista ocorrido no sul do Vietnã.

A turnê pelos Estado Unidos, em 1993, com os rappers do “House Of Pain”, precedeu a segunda apresentação do RATM no Lollapalooza III (Filadélfia), em Julho do mesmo ano - só que no palco principal, onde para protestar contra o PMRC (Parents Music Resource Center) - organização americana de censura, os integrantes da banda ficaram 25 minutos sem cantar ou tocar nada, nus, com uma fita adesiva na boca e as iniciais P-M-R-C riscadas no peito.

Desde então, com a carreira alavancada por protestos, a agenda de shows da banda aumentou desenfreadamente, e os fãs também. Fãs estes que esgotaram os ingressos do festival em prol da liga anti-nazismo “Anti-Nazi” em Londres, Inglaterra; e levaram os rapazes a repetir a turnê pelos Estados Unidos, só que com o Cypress Hill no apoio. Sem contar que insistentes exibições do vídeo “Freedom” na MTV, colocaram o álbum na marca de 1 milhão de cópias vendidas e com o nome entre as 200 mais da Billboard, durante 89 semanas consecutivas.

Tanto sucesso, deve-se não só a um estilo totalmente inusitado – algo entre o rap e o hardcore, quanto pela clara postura política da banda, manifestada na organização de eventos que promovam as causas defendidas. Alguns exemplos disso foram: o show beneficente em fevereiro de 94, intitulado “Rock For Choice”, no The Palladium (Hollywood, California), com a participação de: Eddie Vedder, Screaming Trees, Mary's Danish, 7 Year Bitch, Green Apple Quick Step e Exene Cervenka; e, em abril de 94, outro show beneficente para a "Liberdade de Leonard Peltier" (primeiro lider do Movimento Indígena Americano), que está preso desde o final dos anos 70 sob a alegação de ter atirado em dois agentes do FBI. Sendo que o segundo, arrecadou mais de 75.000 dólares para a causa. Vale destacar que o histórico de protesto do Rage demonstra ser hereditário já que o pai de Morello lutou na guerrilha de libertação do Quênia pela dominação colonial inglesa e sua mãe é uma das fundadoras do Parents For Rock and Rap, uma organização anti-censura.

Em outubro do mesmo ano, a banda se apresentou novamente em prol de Leonardo Peltier, só que dessa vez no Grand Olympic Grounds (Los Angeles, CA); onde contou com o apoio do Cypress Hill, Ligher Shade Of Brown, Fobia, Little Joe Y La Familia e Thee Midnighters.

Meses depois do "Latinpalooza" - como já era de se esperar, os reflexos de uma turnê tão extensa começaram a aparecer e surgiram rumores de que a banda poderia acabar. Mas tudo não passava de boatos e falta de convivência entre os integrantes da banda que, devido a seu contrato com a Epic e a agenda lotada de shows, tiveram pouco tempo para se conhecer melhor. Com o objetivo de minimizar o problema, a banda decidiu mudar-se para Atlanta, onde alugaram uma casa e começaram conviver juntos. Eles tentaram gravar um novo disco mas acharam que não ia ficar bom, então decidiram voltar para Los Angeles, onde começaram a gravação do álbum "Evil Empire" ("Império do Mal", nome tirado da forma como Ronald Reagan se referia à antiga União Soviética).

Em abril de 1996 o RATM tocou duas músicas no programa de "Saturday Night Live", mas uma delas nunca chegou a ser exibida, já que a banda cobriu as caixas de som com uma bandeira norte americana de ponta cabeça - protestando contra a presença do candidato a presidência Steve Forbes no programa daquela noite. Ironicamente, no dia seguinte, “Bulls on Parade” (a música censurada) foi premiada no “MTV's 120 minutes” e dois dias depois, “Evil Empire” foi lançado, entrando no Top 200 da Billboard na 1ª posição. De julho até outubro, o Rage ficou em turnê pelos EUA.

Após três meses do término da turnê (janeiro de 97); Tom Morello (guitarra), Zack De La Rocha (vocais), Flea (Red Hot Chilli Peppers, no baixo) e Steven Perkins (Porno for Pyros, na bateria) participaram da estréia do programa "Radio Free L.A", transmitido pela internet e por mais de 50 estações de rádios americanas. Em março do mesmo ano, a Academia Nacional de Artes e Ciências acabou reconhecendo o potencial da banda premiando-os com um Grammy pela categoria de "Melhor Performance de Metal" com a música "Tire Me", além de uma indicação para "Melhor Performance de Hard Rock" por "Bulls On Parade".

Apesar da decidida postura “anti-popularização”, o maior reconhecimento do RATM no meio musical veio quando uma das bandas mais populares do mundo – o U2, convidou-os para abrir seus shows. Como não poderia deixar de ser, os membros do Rage anunciaram que estariam se juntando ao U2 na turnê milionária “Pop-Mart” com uma ressalva: doar o que conseguir dos grandes faturamentos dos shows do U2 para várias organizações. Foi exatamente o que eles fizeram. Só para citar alguns dos beneficiados: Associação de ajuda a Mumia Abu-Jamal, FAIR (Fairness and Accuracy In Reporting), The National Commisson for Democ-racy in Mexico, FZLN (Zapatista Front For National Liberation) e Women Alive.

Em meados de agosto, RATM começou uma turnê pelos EUA junto do Wu-Tang Clan (o Wu-Tang Clan é formado por 10 MC's vindos de Staten Island, um município da cidade de Nova York, EUA), mas o Clan abandonou a turnê com apenas uma semana de shows. Em compensação, com a mudança frequente de bandas, revelaram-se outros talentos, como por exemplo, o Foo Fighters e o Roots. Em 25 de Novembro, o Rage lançou seu primeiro Home Vídeo repleto de apresentações ao vivo, além de todos os clips de sua carreira e um CD single com o cover de “The Ghost Of Tom Joad” do Bruce Springsteen.


No mesmo mês, Tom Morello foi preso por protestar contra a “Guess?” (marca norte americana de roupas), já que a empresa usava o jeans fabricado em Calcutta, onde os trabalhadores são impelidos a trabalhar sob condições sub-humanas. Justificando o ato, Tom disse em entrevista: “Eles acham que a moda é mais importante e mais nada importa, e então aquela exploração brutal daqueles trabalhadores não os importa. Nós estamos dizendo que eles estão errados."

No começo de 98 a banda gravou a música “No Shelter” que acabou entrando na trilha sonora do filme Godzilla. Na metade do mesmo ano, começaram os ensaios para o novo CD, futuramente intitulado "The Battle of Los Angeles", sendo que em setembro a parte instrumental para 14 músicas já estavam prontas, faltando somente as letras.

Sem deixar de lado suas aspirações politico-sociais, em janeiro de 99, o RATM voltou aos palcos com um show beneficente para Mumia Abu-Jamal, show que aliás, atraiu muito a atenção da mídia e por pouco não aconteceu. As atrações foram o Black Star, Bad Religion e os Beastie Boys. Além do show, Zack - como principal membro ativista da banda, foi até Genebra (Suiça) se manifestar anti as Nações Unidas no caso de Mumia Abu-Jamal e a pena de morte nos EUA.
Quanto mais o tempo passava, mais protestos eram associados ao Rage que, após participar do Tibetan Freedom Concert, fez uma apresentação no Woodstock 99 onde queimou a bandeira dos EUA enquanto tocavam a música “Killing In The Name”.

Em outubro, "Guerilla Radio" - o primeiro single do novo disco foi lançado, seguido pelo álbum "The Battle of Los Angeles". Nos EUA, o lançamento ocorreu propositalmente em 2 de novembro de 1999 (dia de eleição). No mesmo dia, os rapazes apresentaram seu novo single no programa "Late Night With David Letterman" da rede de TV CBS, o que levou outra emissora (FOP) boicotar a apresentação da banda no programa de Conan O’Brien.

A confusão no começo da turnê, retratou o que seria o caótico ano de 2000 para o rage Against the Machine. A banda que planejara uma turnê com os Beastie Boys, teve que cancelar o projeto, devido ao acidente de bicicleta com Mike D; dois shows em São Francisco (julho 2000) – com o objetivo de gravar um CD ao vivo, foram cancelados também; sem contar um tumulto que estourou após os rapazes tocarem do lado de fora da Convenção Nacional Democrática em meados de agosto, justamente no mês de lançamento do single "Testify”.


Os holofotes não estavam mais virados para as músicas e sim para os integrantes da banda - que pareciam não deixar por menos. Em setembro de 2000, após uma apresentação fenomenal no VMAs 2000, o baixista Tim Bob decidiu subir em umas das estruturas do palco logo após perderem o prêmio de melhor grupo de rock para o Limp Bizkit. O músico foi preso e liberado em seguida, já que não existe lei nos EUA contra subir em estruturas de palcos.

Mesmo com o novo projeto - que já contatava aproximadamente 30 músicas gravadas (sendo 12 covers de estúdio), nove anos com o Rage e três álbuns de sucesso; o líder e vocalista Zack de La Rocha, declarou oficialmente no dia 18 de outubro de 2000 que estaria deixando a banda: "Sinto que é necessário abandonar o Rage, pois não estávamos mais conseguindo tomar decisões conjuntas (...) Não estamos mais funcionando juntos como um grupo, e eu acredito que a situação está destruindo nossos ideais políticos e artísticos. Estou muito orgulhoso de nosso trabalho, como ativistas e como músicos, assim como estou grato a cada pessoa que expressou solidariedade e dividiu essa incrível experiência conosco”.

Os demais integrantes do RATM enviaram um comunicado à imprensa, explicando que continuariam com suas atividades depois da saída do vocalista; e foi exatamente o que aconteceu. Mesmo cercados dos boatos que B-Real (Cypress Hill) talvez pudesse integrar a banda - preenchendo o lugar deixado por Zack de La Rocha; Tom Morello e banda decidiram priorizar a produção de seu novo álbum, que levaria o nome de “Renegades”.

No dia 7 de novembro de 2000 (novamente data de eleições nos EUA), o primeiro single do álbum "Renegades" - a música "Renegades of Funk" (original do grupo Afrika Bambaataa) foi lançada, seguida do vídeo homônimo que retrata "renegados" e revolucionários da história. Entre eles: Public Enemy, Beastie Boys, EPMD, Eric B. and Rakim entre outras bandas de rap e funk; além de imagens de Martin Luther Kink Jr., Malcolm X e Thomas Paine.

O álbum "Renegades" veio a tona em 5 de dezembro do mesmo ano com uma coleção de músicas escritas e gravadas originalmente por artistas como MC5, The Stooges, EPMD, Bob Dylan, Minor Threat, The Rolling Stones, Afrika Bambaataa, Devo, Volume 10, Erik B and Rakim e Cypress Hill. São covers de 12 clássicos do Hip-Hop, Rock e Punk Rock; além de uma nova versão remixada da música de Bruce Springsteen: "The Ghost of Tom Joad”. O álbum foi produzido por Rick Rubin (Red Hot Chili Peppers, Beastie Boys, Founder of Def Jam) e mixado por Rich Costey (Fiona Apple, Ice Cube, Pavement).

Em meio ao sucesso do lançamento, o RATM foi pego de surpresa ao saber que muitos de seus fãs tinham sido banidos do Napster por fazer download de suas mais recentes músicas, tudo decorrência das instruções que a companhia de gerência da própria banda tinha dado a Sony Music de instituir a proibição na divulgação. O incidente levou Tom Morello a desculpar-se publicamente, tomando providências para restabelecer os direitos dos usuários lesados e disponibilizando para download, grátis, uma coleção de mp3s e vídeos ao vivo no site oficial da banda.

Janeiro de 2001, o RATM recebe duas indicaçoes para o Grammy nas seguintes categorias: “Melhor Álbum de Rock”, com “The Battle Of Los Angeles”; e “Melhor performance de Hard Rock”, com a música "Guerrilla Radio". No mês seguinte, a banda lança seu home video em DVD e VHS, com o show gravado no México em 1999 pela MTV. intitulado “The Battle of Mexico City”, além da exibição da apresentação da banda - na íntegra, foram reproduzidos alguns trechos políticos feitos pelo ex-vocalista, Zack de La Rocha.

Especulações sobre o novo vocalista voltam a aparecer, depois de um ensaio de Chris Cornell (ex-vocalista do Soundgarden) com a banda. Rapidamente esses boatos são desmentidos por Morello que afirma que a banda não estaria a procura de um novo vocalista. Mesmo porque, o próprio porta-voz e guitarrista, está ocupando sua mente com outros projetos que não a banda. Com um papel no filme “Made”, ao lado de Sean Puffy Combs ou Puff Daddy, como é mais conhecido, Morello deverá usar seu tempo disponível nas gravações.

Mesmo sem vocalista e com seus integrantes dispersos, em março de 2001, o Rage leva o gramofone no 43o Grammy por "Guerrilla Radio” considerada a melhor performance de Hard Rock do ano 2000.

Em maio de 2001 o novo vocalista assume seu posto no Rage Against The Machine. Para a surpresa de todos, o microfone agora passa às mãos de Chris Cornell de fato, negando o que fora dito anteriormente sobre sua entrada. Com sua entrada o grupo deverá gravar um CD sob um novo nome para a banda e com uma mudança de estilo, mostrando que estão dispostos a praticamente "começar de novo". Zack gravará um disco solo ainda este ano. Ainda que incerto sobre seu futuro o (ex) Rage Against The Machine segue olhando à frente, com a cabeça erguida. Foi o que sempre fizeram.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Marilyn Manson


O nome real de Marilyn Maison é Brian Warner. Seu nome artístico foi peculiarmente criado a partir da junção dos nomes do símbolo sexual Marilyn Monroe e do serial killer Charles Manson. Abusado Sexualmente por um vizinho, o jovem Brian cresceu rebelde, magro e fraco, apanhando de seus amigos de escola. Estudou sempre em colégios de elite, católicos, rígidos ao extremo. Tinha um avô que, segundo conta, "era a maior entidade do mal na terra ". Era rico, Sempre retraido, quieto, calado. Utilizava o Heavy Metal como válvula de Escape de tudo aquilo que sentia.
Jovem, comecou a se diferenciar das outras pessoas. Comecou a usar maquiagem e mascaras, assim se sentindo diferente. Formou-se em Jornalismo, sendo obrigado a fazer reportagens, e sempre reclamava o direito de soltar o verbo. Em outras palavras, gostaria de passar alguma mensagem às pessoas.
Ao formar a banda, foi achado por Trent Reznor, o dono e produtor da Nothing Records, e vocalista do Nine Inch Nails, junto a quem lançou o album "Portrait Of An American Family". Os comentários sobre esse cd foram um só, e se basearam no fato de Trent estar por tras da banda; seria "uma cópia do NIN". Não! Marilyn Tem uma personalidade, é completamente diferente dos NIN, tem uma energia diferente.

Em 1990 a formação da banda trazia Twiggy Ramirez, Daisy Berkowitz, Madonna Wayne Gayce e Sarah Lee Lucas. Sarah Lee Lucas saiu da banda e no seu lugar entrou Ginger Fish. Lancaram o cd "Smell Like Children" que se consagrou com o cover do Eurythmics, "Sweet Dreams" (clipe totalmente psicodélico que mostra Marilyn pintado cavalgando um porco).
Apesar do bom CD a banda ainda não havia se consagrado. O álbum "Antichrist Superstar" que vendeu 132 mil unidades na semana de estréia, foi a sua consagração, levando a banda ao MTV Video Music Awards de 1997 no final da festa. Após isso Dayse saiu, sendo substituída por Zim Zum.
Em 1998 lança um novo CD, "Mechanical Animals", e anuncia uma mudança de visual, trocando as roupas pretas e pornográficas anteriores por roupas mais coloridas. A aparicao no VMA deste ano (cantando "Dope Show") apresentou Marilyn com cabelos vermelhos, curtos, uma roupa esquisita, implante de um seio, e namorando com Julia Valet, da MTV Européia. O CD mudou o enfoque das musicas, sendo mais triste e pesado. Zim Zum, um ícone da banda, foi demitido por Manson, sendo substituído por John5 (anteriormente na banda Two de Rob Halford).

O primeiro álbum ao vivo sairia em 1999, com o título de "The Last Tour on Earth". O álbum seguinte, "Holy Wood (In the Shadow of the Valley of Death)", de 2000, fechou a trilogia iniciada com "Antichrist Superstar".
2002 seria marcado pela saída do baixista e compositor Twiggy Ramirez, que não concordava com a direção musical tomada durante a gravação do novo álbum, "The Golden Age Of Grotesque". Ramirez foi substituído por Tim Skold, que havia colaborado com Manson na trilha sonora de "Resident Evil". As participações no cinema não se resumiriam a trilhas sonoras. Manson interpretou o travesti Christina no filme "Party Monster".
Nas músicas e atituddes de Manson, a religião Catolica e toda religião que se considere Cristã, é um alvo comum. O vocalista cospe, rasga e toca fogo em Bíblias, tira o próprio sangue e se limpa com suas páginas, o que rende muitas discussões e protestos de associações de pais e da igreja, que tentam impedir os seus shows. Um destaque extra cabe ao fato de ter recebido o título de sacerdote da Church Of Satan (igreja satanista), daí vindo o seu título de "reverendo".

Papa Roach


O Papa Roach foi formado em meados de 93, quando 4 amigos
de escola, Jacoby Shaddix, , Dave Buckner, Will James e Jerry Horton, se juntaram e formaram o Papa Roach na cidade de Vacaville, na Califórnia.
A banda começa fazendo shows em todo o tipo de buraco e acaba conquistando vários fãs de sempre acompanham a banda. A banda acaba por ficar reconhecida e começa a abrir shows pro Deftones e fazer turnês com bandas como Snot, Incubus e Fu Manchu.
Já em 96, a banda passa por mudanças com a saída do baixista Will James e a entrada de Tobin Esperance. A banda nessa época também arruma seu primeiro empresário, Bret Bair. Com tudo acertado a banda entra em estúdio para gravar o álbum "Old Friends From Young Years". A gravação do CD foi feita no estúdio E.S.P. em Pittsburg e custou a fortuna de 700 dólares. Foram os melhores 700 dólares já gastos pela banda pois o álbum entrou na programação das rádios universitárias locais e chegando inclusive a chegar ao top em algumas delas.

Isso impulsionou a carreira da banda sendo que eles no mesmo ano do lançamento do álbum já dividiam o palco com bandas como KoRn, Sevendust, entre outras.
Finalmente em 2000 acontece a explosão do Papa Roach a nível mundial. Depos de assinar com a DreamWorks Records, chega as lojas "Infest". Excelente álbum da banda, que eleva o Papa Roach ao nível de rockstar. O primeiro single é "Last Resort", que é executado com frequência em todas rádios americanas e o vídeo chega ao Top 10 da MTV. Mais 2 vídeos surgiram, "Broken Home" e "Between Angels And Insects" que também fizeram muito sucesso.
A banda se lança a partir daí em infinitas turnês pelo mundo agora, inclusive vindo ao Brasil, no Rock In Rio 3.
Recentemente a banda, lançou seu novo álbum "Lovehatetragedy". O primeiro single já é visto da Tv com frequência e chama-se "She Loves Me Not".

Thank`s To The Visite

Powered by BannerFans.com