quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Stone Temple Pilots


No fim dos anos 80, os irmãos Robert e Dean DeLeo se mudaram de New Jersey para San Diego na California. Os dois já haviam tocado juntos em New Jersey, numa banda de covers chamada Tyrus. Robert conheceu o vocalista Scott Weiland durante um show do Black Flag em 1986, quando ficaram amigos e começaram a tocar guitarra e gravar algumas coisas num equipamento de 8 canais. A banda era chamada de Swing, mas nessa época não havia nenhuma pretensão se seguir uma carreira ou se apresentar ao vivo, era apenas diversão. Com a entrada do guitarrista Corey Hicock e logo em seguida do baterista Eric Kretz, a idéia começou a se solidificar e alguns meses depois eles convidaram o irmão mais velho de Robert, Dean DeLeo para substiuir Hicock na guitarra. Quando Dean DeLeo se tornou o novo guitarrista da banda (1990), oficialmente estava formado o Mighty Joe Young, nome tirado de um filme feito em 1949 similar ao King King (esse mesmo filme ganhou uma nova versão nos anos 90 e teve o título em português "O Poderoso Joe").
O Mighty Joe Young tocou seu primeiro show abrindo para a Rollins Band em agosto de 1990 no Whiskey-A-Go-Go em Los Angeles. Eles logo se cansam da cena musical de Los Angeles e retornam a San Diego, onde passam a compor músicas e tocar em bares locais pelos próximos dois anos. Depois de algum tempo, a banda conseguiu conquistar um público fiel na região e gravou sua primeira demo em 1991. Em 1992, um empresário da Atlantic Records foi a um dos shows da banda, e mostrou o interesse da gravadora em assinar um contrato. Inicialmente a banda hesitou em assinar até conversar com o empresário Danny Goldberg, que então administrava a carreira do Nirvana. O contrato foi assinado em 1º de abril de 1992.

A banda estava no estúdio para gravar seu primeiro álbum, quando, para surpresa do grupo, eles receberam uma carta de um octagenário bluesman de Chicago que também usava o nome Mighty Joe Young. Ele havia feito música no início dos anos 70, e tinha sido convidado para integrar um grupo de cantores de blues para fazer uma turnê pelos Estados Unidos. Era a volta de Mighty Joe Young e ele queria usar seu nome artístico. O pedido de Young era completamente legítimo e a banda sequer contestou. Na verdade, foi quase uma honra para eles, que aproveitaram a oportunidade para mudar de nome, já que Mighty Joe Young soava muito parecido com Ugly Kid Joe, com quem eles não queriam ser confundidos.
Eles decidiram usar um nome que tivesse a sigla STP, inspirado na STP Motor Oil Company, que era um ícone "cool" nos anos 80 (o próprio Scott Weiland tinha um adesivo da STP na sua bicicleta). Eles escolheram vários nomes como Shirley Temple's Pussy, Stinky Toilet Paper, ou ainda Stereo Temple Pirates, antes de optar definitavamente por Stone Temple Pilots.
O álbum demorou muito pouco tempo para ser gravado, pois a banda já tinha a maioria das músicas prontas. Em setembro foi lançado o álbum Core, produzido por Brendam O'Brien, que já havia tralhado com Black Crowes e Red Hot Chili Peppers.
Core começou sua escalada nas paradas logo após seu lançamento. O vídeoclip do primeiro single, Sex Type Thing entrou em rotação inicialmente no programa de metal da MTV americana Headbangers' Ball para depois entrar em alta rotação na programação semanal da emissora. A partir daí, o álbum Core passou mais de um ano nas paradas, atingindo a marca de 3 milhões de cópias nos EUA. A banda recebeu várias premiações: Grammy para melhor performance hard rock por Plush; American Music Awards por melhor artista novo pop/rock e melhor artista heavy metal/hard rock, ambos em 1993; dois Billboard Video Awards e um Billboard Music Award também para Plush; e um MTV Music Video Award por melhor artista novo de 1993; a banda também foi votada melhor artista novo e o vocalista Scott Weiland foi escolhido melhor vocalista pela premiação da revista Rolling Stone escolhida pelos leitores; os leitores da revista Guitar Player escolheram Dean DeLeo melhor novo talento de 1993.

O STP passou praticamente todo o ano de 1993 em turnê, abriu alguns shows do MegaDeth e gravou um acúsitico para a MTV.
Apesar de todo o sucesso, o Stone Temple Pilots passou muito tempo de sua carreira combatendo a percepção de que eles eram um banda de Seattle. O seu álbum de estréia gerou muitas comparações com a cena de rock alternativo do noroeste americano, quando na verdade o Stone Temple Pilots passou toda a sua carreira batalhando em pequenos bares no sul da California. O grupo foi muitas vezes pejorativamente confundido com as histórias de sucesso das bandas de Seattle como Pearl Jam e Alice In Chains, onde é afirmado que o STP teria entrado "de carona" na onda de sucesso do grunge. Na verdade, todas essas bandas fazem parte de uma onda de bandas novas, cujas raízes são a bizarra combinação do poderoso hard rock dos anos 70 e heavy metal dessa época misturada com uma estética punk rock atual.
A partir da explosão do Nirvana, os críticos passaram a condenar o sucesso de bandas que tinham atitude ou sonoridade similar, alegando cópia ou ilegitimidade por esta ou aquela banda ser ou não de Seattle. Acontece que o rock alternativo havia sido por muito tempo uma indústria fechada onde as grandes gravadoras não se aproximavam, e não havia o interesse nem das próprias bandas em atingir um público maior. E, de repente estavam todos comercializando o rock alternativo e todas as bandas da cena, primeiramente de Seattle e depois de outros lugares, foram colocadas no mercado.
Para o Stone Temple Pilots, a situação começou a piorar exatamente quando foi lançado seu segundo single, Plush, que tinha guitarras e vocal que podiam ser facilmente confundidos com Pearl Jam. As discussões sobre o que é mainstream e o que é alternativo e as críticas da imprensa especializada quase acabaram com a banda, conforme admitiu Weiland em uma entrevista em 1995.
Em 1994 o STP lança o seu segundo álbum, Purple, (também produzido por Brendam O'Brien) que voltou a empilhar hits para a banda. Vasoline, Interstate Love Song (que ficou 15 semanas em primeiro lugar na parada de rock da Billboard) e Big Empty, que também entrou para a trilha do filme The Crow são todas de Purple, que chegou ao ao número 1 da Billboard e vendeu três milhões de cópias nos EUA.
A reação da crítica desta vez foi dividida, algumas positivas outras negativas, mas todos os críticos reconheciam a evolução no som da banda. Mas nem tudo são boas notícias, chegam a público rumores sobre o envolvimento do vocalista Scott Weiland com heroína, e a banda é obrigada a cancelar vários shows de sua turnê. Weiland passa um tempo envolvido com problemas legais e clínicas de reabilitação. Em 1995, a banda volta as paradas com uma versão de Dancin' Days para um disco em tributo ao Led Zepplin. Scott Weiland participa de um projeto paralelo chamado The Magnificent Bastards, que grava algumas músicas para a trilha do filme Tank Girls. O Stone Temple Pilots só volta a se reunir em 1996 com o produtor Brendam O'Brien para a gravação de Tiny Music... Songs From The Vatican Gift Shop. Foi o disco mais ousado do STP até então, bastante elaborado musicalmente, misturando vários estilos. O álbum teve relativo sucesso, atingindo 1 milhão de cópias vendidas nos EUA, apesar da impossibilidade de uma melhor divulgação e de fazer shows devido aos problemas do vocalista Scott Weiland.
Diante da impossibilidade de seguir sua carreira, os outros integrantes da banda unem-se ao vocalista David Coutts, que tocava numa banda chamada Ten Inch Man, para formar a banda Talk Show. Nesse ponto, o futuro do Stone Temple Pilots é incerto. O Talk Show lança um álbum, muito mal recebido pela crítica, em 1997 e sai em turnê pelos EUA abrindo os shows do Foo Fighters.
Scott Weiland lança um álbum solo em 1998, mas no mesmo dia do primeiro show de sua turnê solo, Scott é preso por posse de drogas, e tem que passar mais um tempo entre clínicas e tribunais.
No fim de 98, os integrantes da banda resolvem trabalhar juntos novamente. Um novo álbum, intitulado "Nº 4" é finalizado em março de 1999 e tem lançamento previsto para outubro do mesmo ano. Infelizmente, a poucos meses antes do lançamento do álbum, Scott é novamente preso, e desta vez é condenado a um ano de prisão por ter violado sua provação (uma espécie de suspensão condicional da pena por posse e uso de drogas). O álbum é lançado com pouca divulgação e a banda adia para 2000 os planos fazer uma turnê, o que não ocorre desde 1994.
No início de 2000, Scott Weiland deixa a prisão e banda retoma o trabalho de promoção do álbum Nº4 com gravação de videoclips e shows. O Stone Temple Pilots fatura um hit com a música "Sour Girl" e o disco cresce nas paradas atingindo 1 milhão de cópias vendidas nos EUA no fim do ano. A turnê também teve bastante sucesso, com vários shows para públicos grandes no verão americano. Weiland finalmente mostrava sinais concretos de sua recuperação definitiva. Em 2001 a banda começa a gravar o seu quinto álbum, e para isso alugou uma mansão em Malibu, onde o disco foi gravado com a produção de Brendan O'Brien. Em julho é lançado Shangri-La Dee Da, um disco que mistura todos os elementos presentes nos álbuns anteriores.

Após o lançamento de Shangri-La Dee Da, o STP embarcou uma turnê européia em agosto, retornando aos palcos norte-americanos em novembro para participar do festival Family Value, ao lado de bandas como Staind e Linkin' Park. Nesse festival, a banda enfrentou um pouco de dificuldade com o público, onde predominavam fãs do Linkin' Park. Estranhamente, o STP pouco tocava as músicas de seu novo trabalho, uma ou no máximo duas canções novas eram apresentadas a cada show. Ao mesmo tempo, enquanto o primeiro single do novo álbum, "Days of the Week" teve boa aceitação pelo público, nunca houve um segundo single para o disco, que acabou saíndo de cena. A banda optou por lançar "Revolution", cover dos Beatles como single, que teve a renda revertida para instituições de apoio às vítimas dos atentados de 11 de setembro.
Com o final do Family Values em novembro, a banda só se apresentaria mais quatro vezes antes do final de 2001. Uma turnê própria do STP nos EUA só aconteceria em 2003, quando a banda se apresentou em 16 cidades entre abril e maio. Em setembro a banda participou de alguns festivais e em outubro intercalou datas próprias e alguns shows como banda de abertura para oAeroshmith. Ao que tudo indica, foram os últimos shows do Stone Temple Pilots.
Novidades sobre a banda só surgiriam em 2003. Oficialmente, o STP iria dar uma nova parada, enquanto seus integrantes iam anuncioando novos projetos. Em fevereiro, os irmãos DeLeo assumiram a produção do álbum truANT, da banda Alien Ant Farm. Em abril surge a notícia de que Scott Weiland estaria trabalhando em seu segundo álbum solo com o produtor Josh Abraham. O lançamento estaria previsto para agosto pela Atlantic, o que acabou não se confirmando.
Semanas depois, ainda em abril, surge o boato de que Scott Weiland estaria ensaiando com o chamado The Project, banda formada pelos remanescentes do Guns n' Roses (Slash, Duff McKagan e Matt Sorum), que estavam a procura de um vocalista e já haviam feito testes com Sebastian Bach (ex-Skid Row) e Travis Meeks (Days of the New), entre outros.
Em maio foi revelado pelo próprio Weiland (e desmentido pelos porta-vozes dos ex-integrantes do Guns) que ele realmente seria o vocalista da nova banda. Weiland disse ainda que foram gravadas duas músicas para inclusão em trilhas sonoras: "Money", cover do Ping Floyd, para o filme Italian Job e a inédita "Set Me Free", que foi incluída nos créditos finais do filme The Hulk. Nessa época, o nome provisório da nova banda era Reloaded.
Ainda em maio, acontece mais uma reviravolta: Scott Weiland é preso pela polícia de Los Angeles, que encontrou drogas em seu carro. Weiland foi liberado sob fiança, e a primeira audiência foi marcada pela justiça americana para 2 de junho.
A notícia de que Weiland novamente estava envolvido com drogas não surpreendeu aqueles que conviviam com os integrantes do STP, e para os fãs serviu de explicação para algumas notícias estranhas que vinham sendo divulgadas há algum tempo (notadamente as entrevistas que davam conta de um clima tenso durante as gravações de Shangri-La Dee Da e um episódio em novembro de 2001 quando Weiland foi preso em Las Vegas por agressão a sua esposa, que tentou evitar que ele deixasse o quarto do hotel para comprar "medicamentos").
A esta altura, ninguém se arriscava a fazer qualquer prognóstico sobre o futuro do Stone Temple Pilots.
Na primeira audiência, Weiland alega inocência e uma nova data é marcada pelo tribunal. No dia 3 de junho, foi confirmado oficialmente que Weiland é mesmo o vocalista da nova banda, e no dia 6 surge nova notícia de que o nome definitivo do projeto será Velvet Revolver. Em meio a tantas notícias, no dia 12 de junho a Atlantic anuncia o lançamento de um greatest hits da banda para o final do ano.
Depois de praticamente monopolizar os noticiários por semanas, finalmente Weiland/Velvet Revolver/STP deixam as manchetes, surgindo novidades apenas em agosto: Weiland é sentenciado a três anos de probation, ou "suspensão condicional" da pena, onde ele será constantemente monitorado e se reincidir cumprirá pena de um ano.
Em outubro, mais um revés para o vocalista: ele se envolve num acidente de trânsito e é preso sob a alegação de dirigir sob influência de narcóticos (não foi divulgado qual substância). No entanto, a corte não executa a pena, encaminhando Weiland para uma clínica de reabilitação, com uma permissão especial supervisionada para sair quatro horas por dia para gravar com o Velvet Revolter em estúdio. O Velvet Revolver fechou com a RCA para o
lançamento de seu primeiro álbum no primeiro semestre de 2004.
No dia 11 de Novembro é lançada a coletânea "Thank You", com 15 faixas: 13 dos maiores sucessos do Stone Temple Pilots, a inédita "All In The Suit That You Wear" (gravada em 2002) e uma versão acústica para "Plush". O disco foi lançado também em edição limitada acompanhado por um DVD com todos os videoclips da banda e material inédito. Só pelo nome do disco, já era fácil imaginar que já não haveria muito futuro para o Stone Temple Pilots...


E a confirmação demorou apenas cinco dias. No dia 16 de novembro, Robert e Dean DeLeo confirmaram em entrevista para a revista Guitar One que o Stone Temple Pilots havia encerrado as atividades, desejando a Weiland e Eric Krets sucesso em seus futuros projetos.
É o fim de uma grande banda, que não se intimidou com as críticas e tampouco se acomodou com o sucesso de seu primeiro álbum, partindo para uma evolução que calou muitos de seus detratores pelo caminho.
Apesar do fim da STP ter sido apontado como praticamente certo em 1997, dessa vez parece ser realmente irreversível, nunca antes um integrante havia admitido oficialmente.
É de se esperar que o Velvet Revolver traga junto com o sucesso, a motivação para que Scott Weiland supere seus problemas pessoais, enquanto Eric Kretz planeja montar um estúdio. Já os irmãos DeLeo seguem como produtores, tendo trabalhado com o já citado Alien Ant Farm e a banda Monterey, e, recentemente surgem novos boatos: Robert e Dean estariam se juntando aos ex-Black Crowes Chris Robinson (vocal) e Steve Gorman (bateria) para formar uma nova superbanda. Será?

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